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Palpites de Mãe

É hora de voltar ao trabalho...

Como lidar com o retorno da licença-maternidade.


Arquivo Pessoal
André ganha beijos quando a mamãe volta do trabalho
Depois de cinco meses chegou a minha hora de voltar ao trabalho e a escrever aqui no blog. Para quem tem um bebê, isso faz toda a diferença. Além dos quatro meses de licença-maternidade, somei as férias e curti cada minuto com o André, intensamente. Agora, uma nova fase nesta relação iniciou. Meu filho, ainda muito dependente, está sob os cuidados das vovós Liane e Elisabete, e eventualmente do papai Luis Felipe. Muitos devem estar se perguntando: quem sente mais esta distância? Podem ter certeza, sou eu.

Mas pensando por outro lado, para mulheres que assim como eu, tem o papel profissional fazendo parte da identidade, esse é um período de transição necessário.

O início é estranho. A gente se preocupa com as mamadas, pensa se o filho está bem, se dormiu, se não está chorando. Neste momento, o mais importante é a confiança que se estabelece com o cuidador, seja um familiar, como no meu caso, seja um profissional - como babás e escolas.

Tudo é uma questão de adaptação


Arquivo Pessoal
Leda aproveita e otimiza bem o seu tempo com o filho Lucca
Segundo a professora da Ulbra e psicóloga Leda Rúbia Coelho, 36 anos, saber se organizar e ter uma boa gestão do tempo é o primeiro passo para conciliar trabalho e maternidade. Passando por esta experiência com o seu filho Lucca, de 7 meses, ela comenta que precisou fazer a adaptação do pequeno na escola bem cedo. “Como não tenho parentes próximos, acabei tendo que escolher uma escola para o Lucca quando ele tinha apenas 3 meses e meio”, lembra.

Assim, ela revela que a formação da rede de apoio é de extrema importância para se ter uma volta ao trabalho saudável. “A mãe precisa estar segura de que o filho estará bem enquanto ela trabalha, independente de ser com um familiar, com um profissional ou em uma escola. Assim, uma boa comunicação é muito importante.”

Saber lidar com a insegurança neste retorno também é um fator apontado pela psicóloga, como necessário de se ter atenção. “A mulher tem que conseguir ser funcional. Claro que ao longo do dia, pensar no filho é normal, mas estes pensamentos não podem paralisar nenhuma ação.” Caso isso ocorra, a busca por ajuda profissional é um dos pontos que deve ser avaliado.

Leda dá uma dica para que a profissional que se tornou mãe possa lidar bem com o período de adaptação. “A mãe precisa pensar que o que está sendo feito é o melhor possível naquele momento, tentando fugir das culpas.”

Saiba mais sobre a licença-maternidade

A licença-maternidade é um direito de todas as mulheres que trabalham no Brasil e que contribuem para a Previdência Social (INSS). Vale para empregos com carteira assinada, do serviço público, temporários, trabalhos terceirizados e autônomos ou ainda trabalhos domésticos.

Têm direito ainda ao afastamento mulheres que sofrem aborto espontâneo ou dão à luz um bebê natimorto. A licença é também assegurada a pessoas que adotam crianças, assim como a quem obtiver a guarda judicial de uma criança com fim de adoção.

A licença-maternidade é de no mínimo quatro meses ou 120 dias corridos e de no máximo seis meses ou 180 dias corridos.

Para mais informações sobre licença-maternidade acesse o site da Previdência Social (www.previdencia.gov.br/) e procure por “salário-maternidade”.

André chegou para a alegria da família

Bebê nasceu no último dia 15 de agosto cheio de saúde.


Danibat Fotografia/Divulgação
Família completa: Paloma, Luis Felipe e o pacotinho André
A Paloma interrompeu a sua licença maternidade para nos contar como foi o dia mais especial. Confira como foi o nascimento do André.

Então chegou o dia marcado pela médica obstetra para irmos ao hospital. Confesso que as 48 horas que antecederam foram um misto de felicidade e saudade de estar grávida e, claro, uma pitada de medo pelo desconhecido. Como sabem, tive diabetes gestacional. Assim, o parto do André foi marcado para a 39ª semana de gestação.

Como ele estava posicionado (ou seja, de cabeça para baixo), mas não encaixado (no canal para nascer), optei por tentar induzir o parto normal. Cheguei às 7 horas ao hospital, como combinado com a médica, e sabia que, se nada acontecesse, ele nasceria de cesárea, às 20 horas (previamente marcada).

O processo

Preparação, monitoramento do bebê, acesso venoso para a entrada da ocitocina cinética - um hormônio produzido pelo corpo na hora do parto, que provoca contrações, fazendo assim a dilatação, e estimulando o bebê a nascer (em uma explicação a grosso modo).
Tentamos por cerca de cinco horas que eu tivesse as contrações. Sim, eu tentei provocar a tal dor que muitas mulheres têm medo, para que o André nascesse sem intervenção cirúrgica, mas não tive o resultado esperado.

Não senti a dor, não tive dilatação e, em concordância com a minha médica, Clarissa do Amaral, decidimos antecipar a cesárea para a tarde, já que naquele dia, poucos bebês resolveram nascer, deixando o ambiente mais tranquilo.

A cirurgia


Arquivo Pessoal
André nasceu com 3,860 kg e 51 centímetros
Sempre pensei que o nascimento do meu filho seria da melhor forma para ele e para mim. Tenho a sensação de dever cumprido. Fiz minha parte, tentei o parto normal e não consegui. Paciência.

Meu maior medo, agora, era a anestesia. Agulha nas costas não era algo que me deixava confortável. Era só preconceito. Além de não ter sentido dor, foi tudo muito rápido, sem reações e com boa recuperação.

Pano na frente, pernas adormecidas, tudo certo. Vamos lá.

O nascimento



Danibat Fotografia/Danibat Fotografia/Arquivo Pessoal
Bebê chegou para completar a família
André nasceu às 15h49, pesando 3,86kg e 51 centímetros. Meu marido, Luis Felipe, ficou o tempo inteiro comigo, acompanhou tudo. Posso garantir que confiar na equipe médica e ter o apoio de quem se ama, faz toda a diferença.

A emoção é indescritível. Parece até clichê, mas ouvir o choro pela primeira vez é a emoção mais pura que já senti.

Nossa recuperação está ótima. André hoje tem 10 dias de vida e as descobertas são muitas... Amamentação, cuidados.

Porém, agora, é hora de dedicação total ao pequeno. Na volta da licença maternidade, continuo contando minhas experiências. Até.

Por que eternizar o barrigão

Momento único na vida da mulher em clicks.

Danibat Fotografia/Divulgação
Detalhe faz toda a diferença. Mostrando a "sementinha".
Uma das únicas coisas que eu tinha certeza que queria fazer quando estivesse grávida era um ensaio fotográfico. Claro que isso tem a ver com a forma com que gosto desta arte e com a minha percepção de eternizar momentos. Porém, sei de muitas mulheres que acabam não gostando do corpo neste momento e preferem não ter muitos registros. Tudo aumenta, é fato! Não vou dizer que não me sinto “desengonçada” muitos dias. Nesta reta final o corpo começa a doer, mas posso afirmar que tudo vale a pena ser vivido e registrado.

Em um sábado ensolarado, subi a serra com o pai do André, Luis Felipe, para posarmos para as lentes da amiga e fotógrafa Daniela Battastini (conhecida como Danibat). Ela foi a primeira pessoa fora da minha família a saber que estava grávida, justamente por conta da sua agenda de trabalho.

Tudo foi muito simples. Sem grandes figurinos, com um cenário de “cidade pequena e arborizada” valorizando o que me é mais importante agora, a gestação.

Vida crescendo

Confiar no profissional que vai fazer as fotos e se deixar ser dirigida faz toda a diferença para o resultado final. O pequeno broto de uma planta, virou o símbolo da vida crescendo na minha barriga. Pode parecer bobo para quem não passou por esta experiência, mas posso garantir que é assim que me sinto, com mais vida.

No meu caso, as fotografias serviram ainda para eu me ver mais bonita nesta fase. Por isso, se posso deixar mais uma dica para as mães de primeira viagem, assim como eu, digo que façam imagens. Registrem o momento, se valorizem nesta fase.

Danibat Fotografia/Divulgação
Papais felizes com a chegada do pequeno
Olhar atento

A fotógrafa Danibat revela que ensaios de gestantes sempre são diferentes, por conta da interação da mulher com o seu próprio corpo e com um ser que ainda está dentro dela. “Além disso, minha infância foi marcada pelo depoimento da minha mãe, dizendo que nunca se sentiu tão bonita e tão valorizada na sua vida, como quando nas suas duas gestações”, lembra. Mãe de Anita, ela revela que também se sentiu especial quando estava grávida e que são estas experiências que tenta levar para os seus clicks. “Tento fazer com que tudo se torne realmente único.”

Hora de puxar o freio de mão

Depois de um susto é hora de ficar em casa.

Arquivo Pessoal
Depois do susto, muito repouso
Esta é a segunda semana que estou “de molho”. Tinha programado trabalhar até a 38ª semana de gestação e isso seria lá em agosto. Porém, um susto me fez puxar, literalmente, o freio de mão.

No último dia 10, estava na Redação do jornal, após o almoço, quando um desconforto me assustou. Uma forte dor embaixo da barriga me fez pensar que algo muito errado estava ocorrendo. A sensação ruim, como uma cólica menstrual, me fez ter o primeiro medo como mãe (e dizem que terei muitos outros, principalmente quando o André já estiver fora da barriga).

Conversei com a chefe. Meus colegas viram no meu semblante a dor e o susto. Fui embora. Dirigir os cerca de 30 quilômetros que distanciam minha casa do jornal, chorando, não foi uma boa experiência. Para que entendam, a moça aqui faz o estilo durona. Assim, a vontade de chorar fez o medo de ter algo errado, aumentar ainda mais.

Conversa com a médica

A tecnologia é algo que realmente aproxima. Com dor, chamei minha obstetra pelo WhatsApp. A médica, Clarissa Amaral, me prescreveu remédio, pediu para verificar a pressão arterial e, caso não passasse, que procurasse a emergência do hospital.

Cheguei em casa, a pressão estava “ok” (110x70). Por um momento, senti um calorão e dor na nuca, me fazendo pensar que ela teria subido, o que é péssimo para as gestantes. Tomei o remédio indicado, fiz repouso e cerca de quatro horas depois, aparentemente, estava melhor. Mas, o motivo de ter sentido tudo aquilo, ainda me intrigava.

No consultório

Pouco menos de uma semana antes do relatado, havia tido minha consulta mensal com a obstetra. Como devem imaginar, jornalista pergunta muito, assim, cada consulta é uma entrevista. Nesta última, a médica me explicou como seria uma contração, o rompimento da bolsa e tantas outras coisas que uma mãe de primeira viagem precisa saber nesta reta final da gravidez.

Com o susto, voltei ao consultório e, depois de exames, escutar o coração do André bem e ter mais orientações, fiquei mais aliviada. Senti as dores por mais alguns dias, intercalados. Com isso, sinto a certeza de que preciso desacelerar.

De tudo, uma afirmação está gravada na minha cabeça. O André tem que se mexer. Isso ele faz bastante – o que revela que está bem. As modificações no corpo e no peso, estão pedindo um novo comportamento, que será necessário a partir de agora.

Volto à Redação na próxima semana, com cada vez mais certeza de que nada será como antes, após passar por esta experiência da gestação.