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Cotidiano | Entretenimento Música

Além de fãs, região tem até baqueta de Watts

As memórias de quem encontrou o integrante dos Rolling Stones

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 28.08.2021 às 03:00 Última atualização: 28.08.2021 às 14:52

A morte de Charlie Watts, na última terça-feira, deixou de luto milhões de fãs dos Rolling Stones, uma das mais importantes bandas da história. Aqui na nossa região, tem inclusive quem guarde lembranças especiais de momentos vividos perto do baterista.

Carlo Giano Jantsch, fã dos Rolling Stones e baterista por influência de Charlie Watts, mostra baqueta usada pelo músico Foto: Inézio Machado/GES

O empresário Carlo Giano Jantsch, que começou a tocar bateria por influência de Watts, tem uma baqueta utilizada pelo músico inglês no show de 2016 no Beira-Rio. O músico Marcelo Gross chegou ainda mais perto. Com a banda Cachorro Grande, da qual foi fundador e guitarrista, Gross abriu o show.

O guardião da baqueta

Fã dos Stones há mais de 30 anos, Jantsch mostra a baqueta como uma legítima relíquia. Ele começou a tocar bateria inspirado por Charlie Watts.

Na adolescência, sua diversão era instalar o aparelho de som 3 em 1 da família do lado de fora da casa onde morava, no bairro São José, em Novo Hamburgo. Ali, gravava suas músicas preferidas em fitas K-7. Aos sábados, era o DJ da rua. Um dia, ele assistia televisão e apareceram os Rolling Stones. Foi o primeiro contato com a banda.

“Estava tocando Satisfaction e eu disse ‘nossa, o que é isso?!’ Eu tinha 13 ou 14 anos e pirei naquele riff, né? Pam, pam! Pararam…”, conta, solfejando o mais marcante dos riffs de guitarra da banda inglesa. Logo se encantou pelos Stones. A batida simples e precisa de Watts fez o guri tomar gosto pela brincadeira de caixa, bumbo e chipô.

Jantsch se tornou baterista e tocou em diversas bandas covers, sempre com os Rolling Stones no repertório. A principal delas foi a Stoneanos, da qual participou durante 16 anos.
Ele teve a oportunidade de assistir a três shows da banda. Em 1998, foi a Buenos Aires, no show da turnê Bridges to Babylon. Em 2006, novamente na Argentina, a turnê era a Bigger Banger.

Em 2016, a apresentação foi em Porto Alegre, no estádio Beira Rio, durante a turnê Olé. O terceiro foi, para ele, o mais marcante. Foi o único que pôde assistir ao lado do filho Nicholas, com quem compartilha o gosto pelo rock and roll, pelos Stones e pela bateria.

Do show gaúcho de 2016 para as paredes de um pequeno museu

Foi no show dos Rolling Stones de 2016 que a baqueta usada por Charlie Watts veio parar em terras hamburguenses. Mas para a peça chegar até as mãos de Jantsch, foram mais cinco anos.

O empresário conta que foi ao show com a esposa, filho, irmãos, cunhada e amigos. Quem pegou a baqueta foi a designer Karina Rechenmacher, amiga da família. No fim da apresentação, o clássico momento em que o baterista joga as baquetas ao público.

"Ele jogou, foi picando, escorrega de um, cai em outro. A Karina conseguiu pegar, meu irmão ajudou ela a esconder embaixo do braço. E a turma veio em cima querendo saber com quem estava. No fim do show, ela veio com a baqueta, todo mundo queria pegar, tirar foto."

Karina se mudou para Lomba Grande. A baqueta estava em meio a caixas de mudança e ela decidiu doá-la para Jantsch. Menos de uma semana depois, Charlie morreu.

Discreto

"Fiquei em choque mesmo. O Charlie era o cara que mais se cuidava, sempre foi mais reservado, não gostava dessa coisa do show business, aparecer em grandes festas, pagar uma de rockstar. Era reservadíssimo, preservava o casamento, esposa e a filha."

A baqueta agora será exposta na parede do Armazém do Porto, restaurante e pub de Jantsch em Hamburgo Velho. O espaço é uma espécie de minimuseu, com diversos objetos antigos, muitos doados pelos próprios clientes.

 

Cara a cara com o baterista

"O Charlie é um pilar da maior banda de todos os tempos. Ele era uma parte muito importante daquela engrenagem", analisa Marcelo Gross. "É como se eu perdesse um familiar." Antes de abrir para os Stones, em 2016, o grande encontro. "Então a gente foi para uma salinha e ficou esperando eles. O primeiro que chegou foi o Charlie. Nunca vou esquecer: Ele com as mãozinhas pra trás com as baquetas, pronto para o palco", recorda. (Jeison Silva)

O roqueiro de Canoas que conheceu os Stones

"Cara, eu estou aqui em prantos. Mas tive a chance de olhar nos olhos de Charlie Watts e dizer o quanto eu o amava, vou levar isso para sempre", desabafou com voz embargada o ex-guitarrista da banda Cachorro Grande, Marcelo Gross, em um áudio de WhatsApp. O músico que vive no bairro Niterói, em Canoas, em meio a uma coleção de quase 50 LPs dos Rolling Stones, teve a maior emoção da vida de fã em 2 de março de 2016:

"Eu cresci indo nas lojas do centro para comprar os discos dos Stones. Eu também ia no Super Zottis, no Niterói, e voltava de bicicleta correndo pra casa para ouvir o vinil." De repente, há cinco anos, lá estava Gross, frente a frente com Mick Jaeger, Keith Richards, Ron Wood e... Charlie Watts.

A banda Cachorro Grande foi a atração local escolhida para abrir o show no Beira-Rio. "Tive a oportunidade de tocar com eles. O Charlie e o Mick subiram a rampa para dar uma checada no som. O Charlie chegou pro roadie e falou da nossa bateria Gretsch, pediu para sentar, e deu uma tocada", recorda. "Era um lorde, um gentleman, personificava a palavra elegância, num estilo minimalista."

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