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Cotidiano | Turismo Árvore da Lua

Árvore da Lua: um ponto turístico de outro mundo em Cambará do Sul

Nasa confirmou história contada de boca em boca na cidade. Sequoia da praça central "passeou" na Lua

Por Susi Mello
Publicado em: 14.08.2021 às 17:00 Última atualização: 14.08.2021 às 18:13

Que Cambará do Sul tem belezas naturais de fazer inveja a qualquer ponto turístico do planeta todo mundo sabe. O que nem todos imaginam é que a cidade tem um ponto turístico "de outro mundo". Árvore gigantesca e que pode viver milênios, a sequoia plantada na Praça da Igreja São José, área central de Cambará, foi reconhecida oficialmente pela Agência Espacial Americana (Nasa) como "Árvore da Lua".

A sequoia, plantada na praça central, na Avenida Getúlio Vargas, é protegida por uma cerca de madeira Foto: Vander Nazzari/Prefeitura Cambará do Sul

Esta história começou em 1971, quando 500 sementes de sequoia foram levadas pelo astronauta norte-americano Stuart Roosa na missão Apollo 14, que deu 34 voltas lunares entre 31 de janeiro e 9 de fevereiro daquele ano. No Rio Grande do Sul, além de Cambará do Sul, Santa Rosa, no noroeste, também recebeu sementes da tripulação espacial.

A história de que a sequoia da praça central veio da lua já era falada em Cambará, tanto que uma placa destacando o feito foi colocada ao lado da árvore. No entanto, não havia reconhecimento oficial, parecendo mais uma lenda urbana.

"Pouquíssimas cidades no mundo possuem um presente da ciência como este de Cambará do Sul", declara o cientista de computação de Caxias do Sul, Douglas Hecher, 38 anos. Foi ele que recebeu o comunicado da Nasa de que aquela muda da sequoia realmente era de sementes que estiveram em órbita na missão Apollo 14 e que ela constava no projeto "Árvores da Lua".

Hecher, que percorre os Aparados da Serra há aproximadamente 20 anos por conta do seu projeto Horizonte Vertical, explica que contatou por e-mail o cientista Dave Williams, que atualiza o banco de dados Moon Trees da Nasa (Árvores da Lua), após pesquisar sobre a trajetória das 500 sementes que estiveram na missão Apollo 14.

A resposta positiva do reconhecimento foi em 9 de março deste ano, após espera de quase dois anos de seu contato com a agência americana. "Ele respondeu se desculpando pela demora, informou que estava atualizando a pesquisa e que Cambará seria uma das três cidades do Brasil a contar com uma árvore que veio da lua", frisa, destacando que a de Brasília e a de Santa Rosa já constavam na lista da agência americana.

Após esse comunicado oficial ao morador de Caxias do Sul, o assunto se tornou público quando Hecher concedeu entrevista a uma revista especializada em ciências. "Acredito que o turismo de Cambará do Sul ganhe com o reconhecimento da Nasa", afirma. Ele frisa que, agora, além dos cânions, dos aparados, do frio e da gastronomia, existe um símbolo da pesquisa e força da humanidade. "E isso é algo raríssimo."

Como chegou em Cambará?

Plantio da Sequoia lunar em 82, num raríssimo registro Foto: Secretaria Cultura/Cambará do Sul
Hecher explica que como havia a necessidade de entender na época de que maneira a gravidade zero afetava o desenvolvimento das plantas surgiu a ideia se separar várias espécies para a missão, entre elas sequoias. Ao retornarem à Terra, as sementes passaram por um processo de descontaminação. Mas os frascos onde estavam explodiram e as sementes se espalharam. Elas foram recolhidas e entregues ao Serviço Florestal Americano.

Por causa do bom relacionamento que o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) tinha com o serviço florestal americano, cidades brasileiras receberam mudas. Até aqui, Brasília e Santa Rosa eram as únicas relacionadas no banco de dados da Nasa.

Mas o fato é que uma das mudas de sequoia lunar foi entregue ao então prefeito da Terra dos Cânions, Pedro Teixeira Constantino (já falecido). A árvore foi plantada em 26 de setembro de 1982, diante de autoridades e moradores. A hipótese mais provável é que Constantino recebeu a semente pela boa relação que tinha com delegados do IBDF, de maneira informal.

No imaginário coletivo

 Coordenadora do departamento de Turismo, Ione Wobeto de Aguiar considera o reconhecimento da Nasa importante. Ela conta que na época que a árvore foi plantada era professora. Sua recordação, daquele início dos anos 80, era a conversa das professoras com os alunos. “A gente falava que as sementes da muda da árvore haviam sido germinadas em uma missão na Lua. Na época, não se dava muita importância, mas agora todo mundo quer tirar foto da árvore.”

Tendo morado por mais de 20 anos em Cambará, Gislene Fonseca, 63 anos, percebe movimentação maior ao redor da praça onde está a sequoia nas visitas à casa da mãe, que ainda mora na cidade. "Cambará teve uma explosão de turismo em função dos parques e agora a sequoia veio para acrescentar.

Imponentes, mas sem a mesma fama

Apesar de ser a mais nova curiosidade em Cambará do Sul, as sequoias fazem história na região. Em Canela, há o Parque das Sequoias, que deve reabrir no final do ano para visitação. Nele, há mais de 100 espécies diferentes da árvore. Entre elas, a sempervirens, a mesma da sequoia plantada em Cambará do Sul, porém, as de Canela não passearam na Lua.

"Quando atingem o ápice de sua vida, que pode ser de até 3 mil anos, as sequoias costeiras podem chegar a 120 metros de altura, o equivalente a um prédio de 40 andares - e ter até 15 metros de diâmetro. Aqui no parque, as mais antigas estão na casa dos 70 anos, mas algumas já têm cerca de 40 metros de altura e diâmetro de um metro e meio", destaca o proprietário do Parque, Ricardo Mentz.

Atrativo turístico

Há décadas os cambarenses aguardavam por esse reconhecimento formal. Agora, a ideia é só usufruir dos benefícios, que já são vistos pela administração da cidade, localizada na região de Campos de Cima da Serra. "Hoje, além dos Cânions, a sequoia virou atração turística", observa o secretário de Turismo, Tiago Feijó de Lima, lembrando que o reconhecimento veio no momento que o turismo espacial ganha força.

O reflexo disso? "Depois do anúncio da Nasa, recebemos grupos de excursão para fazer o registro de fotos em frente dela. É um turista que fica mais dias na cidade", comemora o secretário.

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