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Notícias | Região INVESTIGAÇÃO EM CAMPO BOM

Para sobrinho que viu a explosão, aniversariante morreu por defeito em barril de chope

Enquanto investigação policial começa, família de empresário tenta se recuperar do trauma

Por Silvio Milani
Publicado em: 19.09.2021 às 21:22 Última atualização: 19.09.2021 às 21:42

A explosão do barril de chope que causou a morte de aniversariante em Campo Bom, no fim da tarde de sexta-feira (17), teria sido causada por falha no equipamento. É o que apontam testemunhas. Técnicos não descartam a possibilidade, mas também cogitam falha humana no manuseio. Ou os dois fatores. Enquanto as investigações iniciam, a família da vítima, o empresário Gilson do Nascimento, está em choque. Tenta se recuperar da tragédia em um dia que era para ser de alegria.

Equipamento foi recolhido para perícia
Equipamento foi recolhido para perícia Foto: Polícia Civil
Eram aproximadamente 18 horas. Nascimento, que completava 43 anos na sexta, estava organizando festa em casa, na Rua Epitácio Pessoa, bairro Dona Augusta. Seria no sábado (18), ao meio-dia, para parentes e funcionários. “O Gilson queria ajustar o barril para eu e ele bebermos antes, mas estava com defeito. O chope não parava de sair, mesmo com a torneira fechada”, conta Gleisson Zardo, 24, companheiro da sobrinha do empresário. O casal veio de Campestre da Serra para a confraternização.

 

Orientação

Segundo Zardo, o aniversariante logo telefonou a um responsável pela empresa do chope. “O homem respondeu que já estava indo, mas que podia demorar por causa de tranqueira na BR, e passou orientações por áudio. A esposa do Gilson estava ao lado, mostrando o áudio, sobre onde ele era para mexer.” O barril era de 30 litros.



O resultado, conforme o sobrinho, foi uma cena traumatizante. “Quando ele botou a mão na válvula, estourou. Vi ele caindo e saí correndo pedindo socorro.” O aniversariante morreu na hora. “O barril de chope estourou com trauma direto na face. Corte profundo acima do maxilar”, atestou o enfermeiro do Samu.

'A gente entrou em desespero', relata sobrinho

O sobrinho lembra que o empresário fazia questão de comemorar o aniversário com as pessoas mais próximas. “Só não fez ano passado por causa da pandemia. Ele vinha com a família uma vez por ano para cá e nós, também, íamos nessa época para Campo Bom”, comentou Zardo, na noite deste domingo (19), pouco após o retorno a Campestre da Serra.

“Fomos na sexta de manhã, almoçamos juntos e ele saiu mais cedo da empresa pra passar a tarde com a gente.” O sobrinho define Nascimento como excelente empreendedor e pessoa. “Era fora de série. E se pedir para um cliente que seja, todos vão elogiar os serviços.”

Para ele, ainda é difícil falar sobre o acidente. “A gente entrou em desespero. Nunca tinha ouvido falar em explodir um barril de chope, tanto é que isso é vendido para residências.” Zardo foi o representante da família no registro do boletim de ocorrência. “O brigadiano pediu para eu ir junto à delegacia porque ninguém mais tinha condição.” Estavam na casa somente o casal de sobrinhos, a esposa e filho adolescente da vítima.

Era dono de empresa tradicional na região

Natural de Ijuí, o morador de Campo Bom era dono da Sul Calhas NH, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, uma das empresas mais tradicionais do ramo de funilaria e serralheria da região, fundada em 2007. Nas redes sociais, preponderam registros de passeios e interações com a família, especialmente a esposa e o filho de 15 anos.

Gilson do Nascimento estava completando 43 anos
Gilson do Nascimento estava completando 43 anos Foto: Reprodução
Seguindo a irmã, Teresinha, uma pessoa dedicada à família e ao trabalho, que gostava de ajudar as pessoas. Nascimento foi enterrado na manhã deste domingo no cemitério Jardim da Memória, em Novo Hamburgo.

 


Delegado diz que aguarda laudos

Segundo o delegado de Campo Bom, Clóvis Nei da Silva, as informações até o momento são preliminares. “Sabemos que a vítima estava manuseando o barril quando teve um trauma na face.” Ele frisa que aguarda o laudo da necropsia para avançar no inquérito. O resultado da perícia feita na chopeira, no barril (que era de inox), na válvula, no cilindro e em todos os outros objetos coletados também será importante. “Tudo será apurado: quem vendeu, quem fabricou, quem envazou. Enfim, tudo que tem relação com esse acidente.”

 

'Queremos esclarecer', diz advogado da fornecedora

A empresa contratada foi a Chopp Express, de Campo Bom. Segundo o advogado da fornecedora, José Adelmo de Oliveira, todos aguardam a conclusão das investigações e os resultados da perícia.

“Queremos esclarecer tudo isso, mas temos que dizer que só trabalhamos no terreno da hipótese porque apenas a perícia poderá demonstrar as verdadeiras causas do acidente. Sem laudo oficial, que já está em andamento, segundo temos conhecimento, qualquer coisa que dissermos é conjectura, então, a empresa pretende aguardar a apresentação do laudo para que sejam ouvidas as primeiras testemunhas para a partir daí construir as suas conclusões a respeito do ocorrido.”

Caso surpreende profissionais do ramo

A explosão de um barril de chope surpreendeu até os profissionais mais experientes do mercado de venda e distribuição de chope. O sócio de uma companhia no Vale do Paranhana, por exemplo, relata que nunca ouviu caso semelhante nos 15 anos de mercado.

Para ele, que não quis se identificar, existem três fatores que poderiam ocasionar a explosão. Poderia estar mal soldado, ou com o regulador de pressão mal ajustado. “Também há a possibilidade de o barril ter sido fabricado com um material de menor qualidade e até com uma tampa feita de inox mais fino”, considerou.

O engenheiro de alimentos Robert Krause Reichert, que atua no mercado cervejeiro há oito anos, frisa que não possuí informações suficientes para uma conclusão, mas observa que a possibilidade do acidente ter sido provocado por imperícia do usuário não pode ser descartada. "O cliente pode ter feito alguma manobra que não deveria."

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