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Notícias | Região BOATE KISS

Pai de vítima critica autoridades: 'Com certeza falta gente no banco dos réus'

Jorge Luiz Malheiros perdeu a filha de 18 anos; para ele, Ministério Público e prefeitura também têm responsabilidade

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 02.12.2021 às 22:51 Última atualização: 02.12.2021 às 22:53

Jorge Luiz Malheiros entrou no Foro Central com esperança de que o julgamento da tragédia da Boate Kiss possa evitar que outros pais sintam a dor que ele sentiu ao perder a filha, Fernanda, de 18 anos, no incêndio de Santa Maria.

“Seria ótimo se eu pudesse entrar ali [no Foro] e na hora que eu saísse daqui eu pudesse levar a minha filha. Eu não posso mais fazer isso. Mas eu posso fazer alguma coisa para que outros pais não precisem passar por isso”, afirmou.

Jorge Luiz Malheiros, pai de vítima da tragédia da Boate Kiss
Jorge Luiz Malheiros, pai de vítima da tragédia da Boate Kiss Foto: Matheus Chaparini / GES-Especial
Fernanda cursava o primeiro semestre da faculdade de Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria. Ele recorda que, na madrugada do incêndio, foi acordado às 5h por um telefonema de amigos da filha.

Morador de Ijuí, percorreu cerca de 180 km ainda de madrugada. “Quando a gente chegou a Santa Maria, a gente percebeu que era muito grave. Passei na frente da boate, ainda tinha o pessoal retirando vítimas. Era um campo de batalha, Santa Maria era um campo de batalha, a cidade estava em pânico.”

Até o último momento, os pais de Fernanda mantiveram a esperança de que ela estivesse viva. Foi só 12 horas depois da ligação que eles identificaram o corpo da filha. Malheiros conta que chegou a entrar três vezes no local onde os corpos estavam armazenados.

A dor da perda e o desejo por justiça fez com que ele fosse atrás de se aprofundar nos aspectos jurídicos da tragédia. Ainda em 2013, ele promoveu um seminário em Ijuí para debater o caso. “Eu precisava entender o que tinha acontecido lá, eu não queria ser injusto com ninguém”, afirma.

Sensação de impunidade

Independente do resultado do Júri, Malheiros voltará para Ijuí com uma certa sensação de impunidade.

“Vai ficar uma pergunta que vocês não podem deixar ela calar: e os outros? E as outras responsabilidades? Vai ficar assim? Todo mundo vai para casa, ninguém responde nada e fica por isso mesmo? Para mim, isso é o maior atentado ao Estado de Direito que o Brasil já viu. O poder público não é constituído para se autodefender, é constituído para defender a sociedade. E neste caso não estamos vendo isso.”

Nenhuma autoridade denunciada

Malheiros faz uma avaliação positiva do trabalho da Polícia Civil, que indiciou criminalmente 16 pessoas e apontou outras 12 como possíveis responsáveis, e critica o Ministério Público, que apresentou denúncia contra quatro delas. Entre as pessoas que saíram do processo estavam o ex-prefeito de Santa Maria, César Schirmer, e o comandante dos Bombeiros, Moisés Fuchs.

Na sua avaliação, a boate deveria ter sido interditada antes da tragédia. Para Malheiros, o processo foi maculado.

“A partir do momento em que ele [Ministério Público] retirou desse processo as autoridades que estavam no inquérito, ele as absolveu sem um aprofundamento na discussão das responsabilidades. Não estou dizendo qual grau de culpabilidade, nem pena. Mas com certeza falta gente nesse banco dos réus aí. Hoje nós teremos um julgamento parcial.”

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