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Notícias | Região IMPACTO

Setor de transporte de cargas prevê 'colapso' após nova alta do diesel

Motoristas da região sentem impactos e alguns já estão fazendo uma pausa nos serviços

Por Juliana Nunes
Publicado em: 23.06.2022 às 06:00 Última atualização: 23.06.2022 às 10:32

"Insustentável." "Um absurdo." "Estamos pagando para trabalhar." "Vou encostar o caminhão e não sei quando volto." Essas foram algumas das frases ouvidas durante a manhã da quarta-feira (22) em postos de combustíveis da BR-116 em Novo Hamburgo. Caminhoneiros, freteiros, funcionários e donos de transportadoras sentem os impactos do novo reajuste no valor do diesel, anunciado na última sexta-feira (17). A Petrobras autorizou alta de 5,18% no preço da gasolina e de 14,26% no preço do diesel no País.

Motorista de Ivoti vai parar por pelo menos 10 dias
Motorista de Ivoti vai parar por pelo menos 10 dias Foto: Juliana Nunes/GES-Especial
Para o autônomo de Ivoti Alencar André, 41 anos, a saída será parar por pelo menos dez dias. "Descarreguei hoje pela manhã uma carga em Cachoeirinha e agora de tarde já vou estacionar o caminhão em casa. Antes, eu abastecia e dava cerca de R$ 2 mil; hoje, encher o tanque chega a R$ 4 mil. E os colegas com que converso estão na mesma, tem gente parada há 15 dias já. E além da nova alta no combustível, tem o aumento na troca de óleo, no pneu, em tudo. A conta não fecha", desabafa.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs) fala em 'colapso' no setor, com risco de falta de transporte no País. Grande parte da economia brasileira gira em torno do transporte de carga, que funciona por via rodoviária e atende diversos segmentos como alimentação, vestuário, moveleiro, e outros. "Ninguém quer pagar para trabalhar, por isso, pode faltar transporte sim", afirma o presidente do Setcergs, Sérgio Gabardo.

Além do reajuste no diesel, Gabardo destaca outros problemas vividos pelo setor de transportes. "Temos várias situações não resolvidas, pagamos taxas absurdas como transportador no Rio Grande do Sul, tem licença que custa mais de R$ 2 mil e um IPVA muito elevado. Um caminhão novo tem que comprar tacógrafo, temos que pagar para pernoitar e temos outro grave problema que é o roubo de carga. São vários problemas dentro do setor que poderiam ser amenizados principalmente dentro do nosso Estado."

Enquanto a situação não se resolve nas esferas estadual e federal, a saída, conforme Gabardo, é tentar reduzir custos e melhorar a produtividade. "Se hoje eu tenho dez caminhões, vou pensar em ter sete e mais econômicos", avalia.

Embora haja o alerta de possibilidade de falta de transporte, por não compensar rodar pelo alto custo, não há, neste momento, mobilizações ou paralisações previstas por parte da categoria.

Consequências no frete

Enquanto o reajuste no valor do diesel chega a 57% em um ano, o piso mínimo do frete no País teve reajuste de 29,7% dentro do mesmo período. Em consequência, a categoria acaba tendo que negociar com o consumidor final. "Com o custo que temos deveríamos cobrar quase o dobro. Mas está difícil, tem vezes que aceitamos por menos", desabafa o autônomo Eduardo Jacobs, 58.

Silva e Jacobs sentem os impactos da alta no litro do diesel
Silva e Jacobs sentem os impactos da alta no litro do diesel Foto: Juliana Nunes/GES-Especial
Evandro Ferreira da Silva, 39, que também é autônomo e trabalha com frete, já fez a conta. "Sai no mínimo R$ 30 mil de diesel no mês. Mas o que vamos fazer? Não tenho como parar, eu vivo disso. Mas a gente acaba escolhendo o frete ou então pagamos para trabalhar. As pessoas precisam se dar conta que esta alta no diesel não mexe só na minha vida, é na de todos. Influencia na comida, no que a gente veste, em tudo. Mexe em uma peça do tabuleiro, mexe em todas, é uma cadeia."

Auxílio de R$ 400

Desde o início do ano, o governo federal tenta busca criar um “vale” para os caminhoneiros. O auxílio é de R$ 400 mensais para caminhoneiros autônomos. A medida deverá ser incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão no Senado e que prevê uma política de redução nos combustíveis. A PEC deve ser votada na próxima semana. Entre as medidas está uma compensação aos estados que zerarem o ICMS sobre o óleo diesel, o gás de cozinha, gás natural e etanol.

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