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Notícias | Rio Grande do Sul Alexandra Dougokenski

Mulher que confessou ter matado filho de 11 anos será julgada por tribunal popular

Crime, que será julgado pelo Tribunal do Juri, aconteceu em maio de 2020; Rafael Mateus foi morto na casa onde morava, em Planalto

Publicado em: 06.03.2021 às 13:47 Última atualização: 06.03.2021 às 13:49

A pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul, o juízo de Planalto julgou procedente a denúncia contra Alexandra Salete Dougokenski pela morte de seu filho Rafael Mateus Winques, então com 11 anos, em 14 de maio do ano passado. O crime foi cometido na casa em que eles moravam, em Planalto. Com isso, Alexandra foi pronunciada por homicídio doloso quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima), além de ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual e irá ser julgada pelo Tribunal do Júri, em data a ser definida.

Mãe confessou o homicídio de Rafael Mateus Winques Foto: Rafael Winques-Facebook/Reprodução

"A pronúncia do crime de homicídio, com todas as qualificadoras, e dos demais crimes conexos demonstram a seriedade e a responsabilidade com que a acusação foi construída e refletem o árduo trabalho que o Ministério Público desenvolveu, tanto durante o acompanhamento das investigações quanto durante a instrução processual. Todos os fatos imputados à Alexandra foram baseados em indícios sólidos e puderam ser comprovados durante a instrução processual, demonstrando à sociedade a lisura e o comprometimento do trabalho Ministério Público, sempre em defesa da vida”, pontuou a promotora de Justiça de Planalto, Michele Dumke Kufner.

'Está amplamente provado que foi a ré que matou o próprio filho'

Seguindo a mesma linha, o promotor de Justiça Diogo Gomes Taborda observou que a “sentença só confirma tudo aquilo que a acusação vem afirmando desde o início e que está amplamente provado: que foi a ré que matou o próprio filho, de forma dolosa, devendo ser julgada pelo Tribunal Popular. O Ministério Público atua sempre na defesa da vida e da justiça”.

 

A denúncia

O MPRS denunciou Alexandra em 10 de julho de 2020, menos de um mês depois do crime. Conforme a peça, nos dias que antecederam o assassinato, a ré passou a se sentir paulatinamente incomodada com as negativas do filho em acatar suas ordens, como diminuir o uso do celular e dos jogos online.

Ela acreditava que a desobediência colocaria à prova o domínio que precisava ter sobre os filhos. De acordo com a apuração, temia, ainda, que esse comportamento do caçula estaria refletindo na subserviência apresentada pelo filho mais velho, de onde vinha a pensão que garantia seu sustento.

Segundo a denúncia, foi este contexto que levou Alexandra a articular a morte de Rafael.

Relembre o caso

Decidiu matar o filho na véspera, após repreendê-lo, aos gritos, para que parasse de jogar, e depois de fazer pesquisas na internet sobre o uso de substâncias tóxicas para diminuir a resistência das vítimas, como “Boa Noite Cinderela” e colírios.

Horas antes do crime, Alexandra assistiu a filmes em que o prazer sexual era alcançado através de violência, asfixia e uso de máscaras.

Na noite do crime, Alexandra fez com que Rafael tomasse dois comprimidos calmantes. Por volta das 2 horas, verificando que a resistência da criança estava reduzida em razão do medicamento, e munida de uma corda, estrangulou o filho até que sufocasse.

"Após constatar que Rafael estava morto, a denunciada Alexandra engendrou uma forma de ocultar o cadáver e despistar as suspeitas que pudessem recair sobre si. Para tanto, vestiu o corpo do filho, pegou seus chinelos e o óculos e decidiu levá-lo até a casa vizinha, onde sabia que existia um local propício à ocultação", explicou a promotora Michele.

“A mãe sabia que no local havia um tapume que encobriria o corpo do filho. Ao deparar com uma caixa de papelão, depositou o corpo, configurando a ocultação de cadáver com três agravantes: para assegurar a impunidade do crime de homicídio, crime contra criança e contra descendentes”, concluiu.

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