Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Rio Grande do Sul 2º DIA DE JULGAMENTO

Engenheiro responsável por projeto acústico da Kiss afirma que desaconselhou uso de espuma na boate

"Só posso deduzir o seguinte: que foi feita uma obra posterior à minha", disse o depoente Miguel Ângelo Teixeira Pedroso

Publicado em: 02.12.2021 às 20:01 Última atualização: 02.12.2021 às 21:17

Por volta das 15h45 desta quinta-feira (2), teve início o depoimento da primeira testemunha de acusação a ser ouvida no julgamento do caso da Boate Kiss. Miguel Ângelo Teixeira Pedroso, de 72 anos, é engenheiro civil e foi responsável pelo projeto acústico da casa noturna de Santa Maria. O depoimento durou cerca de quatro horas.

Miguel Ângelo Teixeira Pedroso foi a primeira testemunha a depor
Miguel Ângelo Teixeira Pedroso foi a primeira testemunha a depor Foto: Reprodução/YouTube/TJRS

Ele foi contratado em 2011 pelo réu Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, um dos donos da boate, para realizar o trabalho. Miguel também conhecia Mauro Londero Hoffmann, sócio da boate. O projeto foi solicitado após fiscalização do Ministério Público de Santa Maria, que recebeu denúncias da vizinhança sobre som alto. 

"Fiquei sabendo imediatamente que era um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Elissandro me disse quais eram os problemas, e eu passei a avaliar. A primeira coisa que aconteceu, quando eu entrei no lado esquerdo, a parede estava forrada de espuma de borracha, uma espuma cinza. E eu disse para o Elissandro o seguinte: 'A espuma não tem eficácia nenhuma em isolamento acústico, não é adequada'", lembra o engenheiro, que teria recomendado que as espumas fossem retiradas da boate.

"Foi a primeira coisa que eu fiz, falei: isso aqui não serve para nada", conta Miguel, referindo-se ao momento em que entrou na boate e viu a espuma que era utilizada. "Sugeri que botasse alvenaria, que é uma camada com bastante massa. Ainda sugeri o seguinte: 'Vamos botar entre a antiga e a nova uma camada de fibra de vidro, isolante acústico importante", afirma.



No depoimento, Miguel conta que, embora tenha sido responsável pelo projeto, não foi o responsável pela obra. Mesmo assim, eventualmente, passava no local para acompanhar a execução. Segundo ele, no momento da obra, as espumas foram retiradas para que a parede fosse revestida, conforme indicava o projeto.

O engenheiro também acompanhou, após a obra, em março de 2021, a vistoria do MP, que voltou ao local para conferir as adequações. Na ocasião, relata o depoente, não havia espumas no local. "A equipe do promotor foi lá, tirou fotografia, estava tudo exatamente de acordo com o que estava previsto no projeto, inclusive não tinha espuma."

A investigação do MP sobre o incêndio de janeiro de 2013, contudo, aponta que os gases tóxicos, inalados pelas vítimas, foram desencadeados justamente pelo contato de centelhas de um fogo de artifício com uma espuma altamente inflamável que revestia parcialmente paredes e teto do estabelecimento, principalmente junto ao palco.

"Só posso deduzir o seguinte: que foi feita uma obra posterior à minha", conclui a testemunha.

Questionado sobre o modo como barras de ferro na entrada da boate eram distribuídas no ambiente, Miguel ressalta que foi contratado apenas para resolver questões referentes ao isolamento acústico da boate. Ele fala que, apesar da sua formação em engenharia, sua especialidade não lhe permitia opinar tecnicamente sobre o restante da estrutura da boate.

Espuma inflamável

Durante sua fala, criticando o uso da espuma na boate, o engenheiro ainda comenta que existe um material que se utiliza para tratamento acústico, um tipo de elastômero, que é uma espuma não inflamável. Ele destaca, neste sentido, que há tipos de espumas mais inflamáveis que outras e que algumas demoram mais tempo para pegar fogo quando expostas a chamas.

"Inflamável é uma coisa que pega fogo, tão logo seja sujeita a ação do fogo. Por exemplo: papel é inflamável, gasolina é explosiva, a espuma acústica tem resistência bem maior", aponta Miguel, indicando ainda que soube, por meio da imprensa, que a espuma colocada na boate havia sido comprada em uma colchoaria e que esse tipo de espuma é inflamável.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.