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Opinião Editorial

Horário de verão - É tempo de acertar os ponteiros

Opinião do ABC

Por Editorial
Publicado em: 18.09.2021 às 03:00

Em uma longa entrevista exclusiva à Rádio ABC no dia 2 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro falou pela primeira vez que, se o povo pedisse, o governo avaliaria um possível retorno do horário de verão. Naquela mesma entrevista o presidente admitiu que a crise energética dava sinais de agravamento, pediu à população que evite o desperdício de energia elétrica e assegurou que não havia risco de apagão.

Passados 45 dias, a conta de luz está bem mais cara e o risco de problemas no fornecimento de energia também aumentou. É um cenário desafiador, especialmente considerando o momento de retomada da atividade econômica. Por conta disso, enfim o Ministério de Minas e Energia pediu que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estude a volta do horário de verão "à luz da atual conjuntura de escassez hídrica". A mudança nos relógios foi extinta em 2019 por Bolsonaro sob alegação de que não fazia sentido, que a rotina e os hábitos de consumo dos brasileiros mudaram.

Ao mesmo tempo em que acerta - ainda que tardiamente - ao encomendar o estudo sobre a eficiência do horário de verão, o governo se antecipa ao informar que não vê benefícios na medida. É pouquíssimo provável que tardes mais longas não venham a reduzir, mesmo que minimamente, o consumo de energia no País. E considerando que o prognóstico é de agravamento da crise energética na reta final do ano, impossível não concluir que qualquer medida de economia é bem-vinda. Ou ao menos deveria ser.

Entidades e especialistas do setor elétrico analisam que sim. E dizem que, a essa altura, a possibilidade de iniciar o horário de verão em outubro - como de costume - já deveria estar mais adiantada. No meio da semana o ex-diretor do ONS, Luiz Eduardo Barata, informou que o ganho com o horário de verão seria pequeno. Mas ponderou que, no momento, "precisamos contar megawatt por megawatt".

O presidente da Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, também defende a volta do horário de verão. "Por mais que não faça grandes diferenças, poupar é sempre bom", resume. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) estima que o horário de verão reduziria em cerca de 3% o consumo de energia. Em um sistema que opera perto do limite e com custo elevadíssimo, que vai pesar no bolso do consumidor também nos primeiros meses de 2022, qualquer economia deve ser considerada.

Nos últimos dias, empresários e entidades dos segmentos de turismo, shoppings, bares e restaurantes passaram a apoiar a volta do horário de verão. Primeiro pela economia de energia, depois pela possibilidade de aumento da circulação de pessoas e do consumo. É um movimento importante para ao menos acelerar as avaliações.

As conclusões precisam ser rápidas e, acima de tudo, técnicas. Opiniões pró e contra a mudança são quase infinitas. É hora de deixar um pouco de lado as discussões intermináveis das redes sociais e ouvir os verdadeiros especialistas. A situação é séria o bastante para que a sociedade avalie e tome as decisões necessárias, de forma madura e pragmática. Certamente é melhor mudar uma hora a mais ou a menos na rotina do que sofrer com o sistema elétrico operando no limite.


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