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Juntos somos um

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 18.09.2021 às 03:00

Até que enfim vi a união dos clubes contra o que privilegia apenas um, em um campeonato onde vinte estão na disputa. A decisão de cassar a liminar que autorizava apenas o Flamengo a contar com o apoio na arquibancada é parte de uma série de fatores que se concretizam sempre privilegiando os mais poderosos, e silenciando os demais, que até resmungam, mas acabam aceitando os benefícios contrários aos princípios de uma competição cujas regras deveriam valer para todos.

O rubro-negro carioca tem uma potência em campo e é uma grandiosidade como clube. Não precisa de privilégio algum para entendermos a superioridade técnica que vem sendo apresentada, até mesmo pelos reservas. Não necessita de benefícios exclusivos para se fortalecer ainda mais. E, por si só, já se garante como competidor em evidência... Não há necessidade de regalias. Por que ter na referência de força uma mancha que pode não validar tamanho potencial?

Vai dizer que na vida você já não se sentiu desmerecido pelos fatores favoráveis aos seus opositores? Que não se calou diante de injustiças e baixou a cabeça indignado, porém resignado? Colocou toda a tua grandeza em segundo plano e se viu diante de uma derrota pessoal por se calar à mercê do que enaltecia apenas uma pessoa na construção coletiva de alguma tarefa que você fez parte?

Foi só os clubes se unirem de fato para entender que, sim, somar forças faz toda a diferença.

Já vimos clubes acompanharem o Inter perdendo o Brasileirão de 2005, que deu o título ao Corinthians, em um campeonato deteriorado por uma corrupção da arbitragem. O que foi feito pelos demais? Seguiram em campo como se aquele fosse um problema apenas colorado. Vimos o técnico do River, punido, descer no vestiário e passar orientações ao clube em plena Arena, eliminando o Grêmio da Libertadores de 2018, e isso passar batido porque, né, só cabia ao Grêmio reclamar de tal violação. Deve ter torcedor até hoje lamentando o Brasileirão não ter ficado no Rio Grande do Sul na última edição, assim como tem outros comemorando a expulsão do Rodinei. Poucos exigiram legitimidade em nome do esporte que amam, porque a rivalidade falou mais alto.

Será mesmo que sempre vamos nos conformar com o que não é justo com o que respeitamos como regra? Será mesmo que o problema do outro, que faz parte do meu contexto de atuação, relação, sobrevivência... não é meu também? Será que sozinho eu teria a mesma força do que compartilhando a dor do outro que também me afeta? O Flamengo é grande, mas não é 19. E a prova disso veio com a decisão do STJD de manter o veto e transferir o retorno gradual de público no Brasileiro quando todos forem autorizados.

Que a gente possa sempre se orgulhar dos nossos méritos, muito mais do que se orgulhar da nossa vantagem que desmerece nosso potencial. Quem sabe a força que tem jamais vai precisar depreciar quem está junto na disputa. Diminuir o adversário é diminuir nossa capacidade de vitória.

 

 


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